<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657</id><updated>2011-10-19T10:04:15.763+01:00</updated><category term='Os diários da bicicleta'/><category term='Veteranos de Serzedo'/><category term='Vamos à bola'/><category term='A vida dava um texto relativamente curto'/><category term='o futebol não se diz em quatro linhas'/><category term='Estado Crítico'/><category term='Uma história por um euro'/><title type='text'>WebSideStory</title><subtitle type='html'>este lugar tem os dias contados.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>28</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-8469741551354686429</id><published>2010-07-21T15:40:00.004+01:00</published><updated>2010-07-21T17:58:59.843+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>O lugar onde os homens vão morrer</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Os diários da bicicleta - 8)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lamenta-se nesta folha inicialmente em branco a total ausência de conhecimento botânico. Não era para enfeitar o texto com cores e formatos em vias de extinção. Era para contar com rigor a natureza vegetal em redor do lugar onde os homens vão extinguir o corpo e com ele a alma, o ser, a vida.&lt;br /&gt;Na sombra destas árvores que não me dizem o nome, só sei que aqui por baixo o verde encostado ao alcatrão é relva e as flores são pequenas e belas, mas tão anónimas como os gigantes de madeira com copas no lugar da cabeça. O comprimento inteiro da estrada é acompanhado por uma fila de rede e de arame farpado. Do outro lado desta fronteira acinzentada o chão tem uma camada de cascalho, carris de aço e traves de pau. Neste sítio a fronteira termina para voltar a começar daí a um metro. É uma porta por onde entram pessoas sem nome e vidas sem rumo. Os homens chegam aqui na pele de espécie em vias de extinção. Passa um comboio sem passageiros.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-8469741551354686429?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/8469741551354686429/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=8469741551354686429&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/8469741551354686429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/8469741551354686429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/o-lugar-onde-os-homens-vao-morrer.html' title='O lugar onde os homens vão morrer'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-8230490286268913069</id><published>2010-07-21T00:59:00.002+01:00</published><updated>2010-07-21T01:08:20.320+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>Aqui ao lado</title><content type='html'>O grupo dos aprendizes tanto se destaca pelo número de elementos como pelo barulho das perguntas. Querem respostas com sim no princípio e com sim no fim. Só estão a pedir as bolas, as pás, os baldes e autorização para molhar os pés. O que pedem é pouco, é mais do que isso, é quase nada, mas é um a pedir em cima do outro, em cima do outro, em cima do outro, e a certa altura já ninguém percebe ninguém e o reina no grupo dos aprendizes um pequeno caos. A situação é prontamente resolvida pela polícia dos aprendizes, formada por equipas de educadoras de infância. São quatro para cada vinte crianças. No caso de fuga, isolada ou em grupo, das barracas para o mar, uma voz de mulher dá ordem de prisão. A captura é um processo desburocratizado,  limitado a um grito, uma corrida e um puxão de orelhas. Os lóbulos são carne em lume brando. Chegam bem passados na volta ao cárcere.  A areia queima os pés quando os pés voltam a estar dentro do muro da prisão, erguido a barras de alumínio e panos de pára-vento. O meio-dia liberta opressores e oprimidos. Os anões de uniforme são levados para autocarro. A meio da viagem volta cada um a ser filho deste e daquela. As mulheres polícia deixam os distintivos escondidos entre a rochas e regressam à condição de mãe, irmã e filha de. Amanhã há mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-8230490286268913069?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/8230490286268913069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=8230490286268913069&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/8230490286268913069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/8230490286268913069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/aqui-ao-lado.html' title='Aqui ao lado'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-6251027913892075501</id><published>2010-07-18T02:26:00.007+01:00</published><updated>2010-07-18T02:52:43.917+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o futebol não se diz em quatro linhas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os diários da bicicleta'/><title type='text'>Jogador sem rodinhas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Os diários da bicicleta (7)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nico marca poucos golos. Para ele, o exercício de chutar a bola e fazer bater o couro nas redes é uma actividade trimestral. Nico tem um golo para cada estação do ano. Assina as colecções raras com o pé esquerdo. Faz golos de autor. Nico é argentino e tem a alcunha de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;el zurdo&lt;/span&gt;. Ele é o contrário do mundo. O pé direito só lhe serve para subir para o autocarro e agora que é milionário, para nada lhe serve. Nem para equilibrar os pedais da bicicleta. Esta noite, com a camisola amarela do Benfica, em Guimarães, Nico armado em herói do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tour de France&lt;/span&gt; estalelou-se duas vezes quando tentava desenhar milagres com as pernas, no ar. As bicicletas de Gaitán, sobrenome de família, precisam das pequenas rodas laterais para fazerem o caminho. Às vezes basta um pequeno apoio para se alcançar um equilíbrio duradouro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-6251027913892075501?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/6251027913892075501/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=6251027913892075501&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/6251027913892075501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/6251027913892075501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/jogador-sem-rodinhas.html' title='Jogador sem rodinhas'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-202081069773184920</id><published>2010-07-14T18:33:00.007+01:00</published><updated>2010-07-14T19:05:19.315+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>João César Monteiro graças a deus</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chateado comigo, deus apontou desde o céu um raio de sol e disparou a luz na direcção dos paralelos da rua da minha porta. E a luz chegada ao chão caminhou com as formas de um homem rodeado pelas partículas de pó com a cor do ouro. Neste filme, a figura vem no sentido da praia para o interior. A figura é um homem velho, esguio, branco de cabelo, branco de barba e branco de raça, apesar de moreno de pele. A figura é o João César Monteiro. Deus é o realizador desta assombração que me veio ao caminho.&lt;br /&gt;Camisa branca apertada até ao pescoço. Pull-over sem mangas, da cor do céu, caído a cobrir os ossos do cú. Um cigarro a morrer nos lábios. Um boné de feltro cor de vinho, umas calças castanhas curtas com dobra no tornozelo. Meia branca e sapatos velhos acastanhados. Passos sonâmbulos nas pedras da rua com o ar de quem quer que o público português se foda. Fico à espera de mais detalhes para entender por que raio deus se lembrou de me atirar para os olhos a visão de um realizador morto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-202081069773184920?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/202081069773184920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=202081069773184920&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/202081069773184920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/202081069773184920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/joao-cesar-monteiro-gracas-deus.html' title='João César Monteiro graças a deus'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-2219412362826282603</id><published>2010-07-14T01:55:00.002+01:00</published><updated>2010-07-14T02:03:25.701+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>Agora e na hora</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O corpo é um poema acústico. É uma casa alugada sem contrato, um negócio apalavrado com o senhorio. O dono da imobiliária dos corpos é um homem invisível e pelo facto de nunca se ter deixado ver, por uns é encarado como um deus e por outros é visto como se não existisse. Das duas, um. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A música é a electricidade desta cidade de seres humanos com prazo de validade. Nos lugares às escuras não há instrumentos, nem alegria, há silêncios frios e tempos mortos. Sem música os frigoríficos estragam a carne, secam os legumes, matam o leite. Por lá ninguém dança. Nesses lugares onde é de noite a toda a hora, a fome vem e estraga um estômago e mais um e mais outro. As pessoas passam a ter mais olhos do que barriga. Os olhos tornam-se maiores do que o sol e sem dar conta a sociedade fica contaminada por uma cegueira colectiva. Quando começa a ver a soma de todos os erros, apercebe-se de que já não vê. E aí surge para dar a cara o dono da imobiliária, quando todos os olhos estão cegos. Ele chega com a factura do aluguer dos corpos. Apresenta a conta homem a homem e é individualmente que lhes diz que a vida está pela hora da morte. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-2219412362826282603?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/2219412362826282603/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=2219412362826282603&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/2219412362826282603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/2219412362826282603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/agora-e-na-hora.html' title='Agora e na hora'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-1132515251194944996</id><published>2010-07-13T13:33:00.006+01:00</published><updated>2010-07-13T14:21:34.604+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>C 037</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O irmão era mais velho, mais alto, mais forte, tinha mais amigos e tinha chegado primeiro aos lugares todos: à igreja, à catequese, à escola, às raparigas, às meretrizes e às mulheres. E tinha obviamente chegado primeiro ao mundo. Carlos tapava todas as direcções, absorvia todos os raios de sol. A vida de Raul era um lugar à sombra, dentro de um corpo menor, coberto por uma pele pálida. Raul viveu durante 78 anos na condição de irmão mais novo, mas nessa condição como se fosse uma ponta solta da existência de Carlos, um simples figurante dos dias da vida do irmão. Raul sempre foi o Raul, o irmão do Carlos. O Carlos foi sempre o Carlos. Alto e moreno. Figura de verão no ano inteiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Dezembro, o médico mandou chamar os dois. Anunciou que a saúde do Carlos estava entre o céu e o inverno. Foi o pior dia dos últimos oitenta anos. O mais velho caminhou devagar na direcção da casa de ambos, parecendo estar a evitar gastar sem pressa os seis meses de vida divulgados pelo doutor. O mais novo levava papéis a mandar fazer os mesmos exames. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No funeral, Raul deixou fugir uma lágrima quando já não se via o caixão por baixo dos terrões. Continuava a ser o irmão do Carlos apesar da morte do mais velho, porque os olhares na sua direcção tinham esse olhar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na manhã seguinte, Raul pegou nos papéis que estavam presos entre a fruteira e o prato  há quatro semanas. Vestiu umas calças do irmão, uma camisa e um blazer do irmão. Calçou uns sapatos três números acima do seu número. Navegou no espaço de sobra desde a rua da sua casa até à avenida do centro de exames médicos. Entrou por esta porta e trazia consigo um ar de pedinte. Passou por toda a gente e deixou os papéis em cima do balcão e à frente de uma funcionária. Ela mandou-o recuar até à porta e disse-lhe para tirar uma senha. Ele ficou com o código C 037 nas mão direita. Esperou pela vez de levar o corpo velho, pequeno e branco à revisão. Sentiu a falta do Carlos na cadeira onde eu estava sentado e disse-me que os sapatos eram do irmão mais velho. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-1132515251194944996?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/1132515251194944996/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=1132515251194944996&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1132515251194944996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1132515251194944996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/c-037.html' title='C 037'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-6268016471339212008</id><published>2010-07-12T23:44:00.004+01:00</published><updated>2010-07-13T00:10:10.509+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>O segredo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje foi o dia de ficar a perceber a causa de uma coisa: o porquê de se dizer que as paredes têm ouvidos. As paredes têm ouvidos porque na construção da última camada, a mais lisa de todas, se utiliza uma mistura de água, cimento e areia. A areia é quem traz os ouvidos às paredes. Este é um dado adquirido esta manhã na praia, estendido na toalha com a cabeça para leste e os pés esticados para a América. A areia tem ouvidos. Escutei esta história de vida porque a areia tem ouvidos, sim, mas também porque em certas bocas o português perde a noção do controlo de volume e faz da língua um altifalante.&lt;br /&gt;Um de três adolescentes está a falar do emprego da mãe na SONAE. E de que detalhe fala? Fala do café. Fala da máquina do café. Explica ao pormenor o carácter democrático do lugar onde ela está, acessível a todos, sejam doutores ou não ,e com a particularidade de o café ser gratuito. Sem preço  a tabelar a cafeína, a mãe toma seis ou sete por dia. E depois, no fim-de-semana quando querem sair em família para ir a algum sítio, a mãe volta e meia desaparece. Agora já não se preocupam, mas nos início aquelas ausências súbitas deixavam todos em sobressalto e houve uma vez em que até foram procurar por ela no posto da polícia. A mãe estava, como está sempre quando desaparece, no café mais próximo com uma chávena numa mão e um cigarro na outra.&lt;br /&gt;O filho contou o episódio aos amigos mais chegados e julgou estar a enterrar de uma vez o segredo da família. Mas é como vos digo: a areia tem ouvidos. Mesmo quando se erguem paredes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-6268016471339212008?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/6268016471339212008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=6268016471339212008&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/6268016471339212008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/6268016471339212008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/o-segredo.html' title='O segredo'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-1774270839983140511</id><published>2010-07-11T23:41:00.005+01:00</published><updated>2010-07-13T14:24:20.459+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>120 minutos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A propósito da Espanha ter dado a volta à Holanda em duas horas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Portugal, em 1974 e antes de Abril, um português com carro chega a casa de outro português com carro e combinam uma viajam entre os dois mais as mulheres dos dois. A mulher do autor do convite toma conta de uma loja da família. Os dois homens são funcionários públicos. Durante a semana de trabalho combinam uma ida a Espanha por que há por lá produtos muito mais em conta, ter-lhe-ia contado um primo afastado. A única preocupação da viagem tinha a ver com a condição da esposa do convidado: estava grávida de quase nove meses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foram sem problemas, compraram o que tinham a comprar sem problemas e estavam a fazer a viagem de regresso sem problemas até que... a carrinha Renault 4 teve de ser conduzida depressa e bem, alterando-se a rota da volta com um desvio a Vigo. A rapariga de 25 anos é encaminhada para a urgência e no &lt;i&gt;quirófano &lt;/i&gt;ela e o marido insistem o quanto podem para evitar o parto. As dores lá passam e os dois assinam um papel para que a futura mãe continue a ser futura mãe e venha a ser futura mãe fora daquele hospital, daquela cidade (Vigo) e daquele país (Espanha). Cento e vinte minutos mais tarde, mais coisa menos coisa, este que vos escreve em português nascia no hospital de Vila Nova de Gaia. Não sou campeão do mundo por duas horas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-1774270839983140511?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/1774270839983140511/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=1774270839983140511&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1774270839983140511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1774270839983140511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/120-minutos.html' title='120 minutos'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-8180232377144716299</id><published>2010-07-09T11:52:00.003+01:00</published><updated>2010-07-09T23:45:28.167+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>Um animal do sexo feminino</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ri-se com a boca escancarada. Tem o cu do tamanho de um boi inteiro. Pronuncia a letra "a" com a boca aberta e aberta deve manter a mandíbula várias horas ao longo do dia, pois tem corpo de betoneira e a comida é o cimento que a faz crescer para lados até ao tal diâmetro  bovino.  Queixa-se de tudo. Queixa-se das doses de tamanho pequeno do restaurante  onde foi jantar fora pela única vez no ano inteiro. Ao pedir um café protesta com o açúcar quando o recebe porque quer adoçante. A vaca talvez seja diabética nas horas livres. Ruminou meia dúzia de frases e numa dizia ai foda-se que a água está fria e na outra dizia que vinha aí o "cagalhón" da amiga. Da parte dela já só esperava um peido. Uma amiga apontou para a praia. Avisou que já lá vinha o homem das bolas de berlim. Imagino a vaca sobre o areal, a transformar o creme em estado gasoso. Que registe a patente. E que tape a carcaça. E feche a matraca. O sossego voltou as mesas da esplanada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-8180232377144716299?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/8180232377144716299/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=8180232377144716299&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/8180232377144716299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/8180232377144716299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/um-animal-do-sexo-feminino.html' title='Um animal do sexo feminino'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-4586105792825737103</id><published>2010-07-09T01:05:00.002+01:00</published><updated>2010-07-09T01:16:16.519+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>O amor sobre rodas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma forma adulta de encarar os 32 anos da namorada? Procurar na auto-estrada o número 32 nas matriculas de carros, camiões, motas e rulotes. E procurar o número 32 trinta a duas vezes. Se isso acontecer, então o amor do casal é para sempre. Ao fim de cinco minutos, nada, zero, nenhum número 32. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A aventura matinal, infantil e a solo do lado masculino do par, apercebe-se entretanto da primeira matricula com o 32. É a matrícula do seu próprio carro. A partir desse instante dá-se uma inversão de marcha no raciocínio deste jovem adulto. Passa a rezar para que não apareça na estrada mais nenhum 32. Se isso acontecer é porque ele é o tal, o único ocupante do coração da namorada. Está feliz da vida, sem notícias de mais números, quase a chegar ao fim da viagem, quando julga ver no retrovisor o carro da melhor amiga da namorada. Deixa-se ultrapassar e percebe que o carro é de outra pessoa. E vê outro 32 na matricula. Em vez do pânico pelo facto de poder haver outro amor na vida da mulher, ele sorri e comporta-se como um homenzinho. Esta coisa das conquistas não vem nas matriculas dos automóveis. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-4586105792825737103?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/4586105792825737103/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=4586105792825737103&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/4586105792825737103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/4586105792825737103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/o-amor-sobre-rodas.html' title='O amor sobre rodas'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-1468040169451231564</id><published>2010-07-07T22:50:00.012+01:00</published><updated>2010-07-09T23:47:36.154+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os diários da bicicleta'/><title type='text'>Vila Tereza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 153, 153);font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;os diários da bicicleta (6)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nas casas, a assinatura não é igual à dos quadros.&lt;br /&gt;Numa tela, o nome tem lugar reservado num dos cantos inferiores. Nas paredes dos sítios em que os há, os nomes estão na maioria das vezes perto de uma janela, mas podem estar no rés-do-chão ou no primeiro andar, podem ser grafados em azulejos, apesar de o serem quase sempre em ferro forjado. Como é este o caso da Vila Tereza, com um muro nas redondezas do cruzamento que fica de frente para escola primária da Granja.&lt;br /&gt;As letras da Vila Tereza são o exemplo do que ali existe em melhor estado de conservação. O ferro ao vir da forja, mesmo quando é novo (recente), já tem ar de ser velho (antigo), mas porque fica igual com o passar dos anos, rejuvenesce perante tudo e também, porque não dizê-lo, perante todos. Comecemos o inventário do "deve ter sido assim" pelas pessoas: umas morreram e as que não morreram foram embora. Um dia houve um homem determinado que decidiu mandar escrever o nome da mulher. Esse dia foi há demasiados anos, foi na primeira metade do século XX, quando a esposa, Tereza, ainda trazia um "z" perto fim do nome. Um e o outro talvez já estejam mortos. Os filhos, se os tiveram, não dão sinal de vida àquele sítio. E os filhos dos filhos, se os filhos os tiveram, também não.&lt;br /&gt;As paredes já foram amarelas. Hoje são pele rasgada com terra e cimento à vista. O abandono é visível de cima a baixo e pode começar a ser visto pela calvice do telhado. Os meus conhecimentos aproximadamente nulos de botânica não me deixam falar como gostaria de falar  acerca do caos do mundo das plantas. O jardim explodiu num dia em que já estava farto da solidão. Reconheço silvas e pouco mais, porque não lhes sei dizer o nome, na revolta esverdeada da natureza, também ela com vontade de sair dali para fora e parte dela já com um pé na rua. Há um prato com comida e um prato com água junto ao portão enferrujado de grades espaçadas. No cimento onde as flores morreram, no caminho do portão maior até à garagem lá ao fundo, um gato estica as patas de barriga para o ar e volta a dormir.&lt;br /&gt;O sono profundo e eterno de Tereza e do marido garante-lhes uma paz que não voltariam a ter se um dia sonhassem os horrores entretanto acontecidos na Vila.&lt;br /&gt;(pode ser que um dia descubra quem vai dar de comer ao gato)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-1468040169451231564?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/1468040169451231564/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=1468040169451231564&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1468040169451231564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1468040169451231564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/vila-tereza.html' title='Vila Tereza'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-6450124990201495174</id><published>2010-07-07T01:21:00.003+01:00</published><updated>2010-07-07T01:38:56.239+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>O mistério da estrada nacional 101</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se é verdade que todos os caminhos levam a Roma, este é o melhor caminho para levar a Valença quem vem de Melgaço. E se quem tem boca vai a Roma, quem tem boca, também tem fome. E quando tem fome pára o carro à porta de um restaurante de beira de estrada. Quem não tem tempo de sobra para comer, pergunta à senhora do balcão se tem sandes. Ela responde que não, só SuperBock.&lt;br /&gt;O mistério da estrada nacional 101 acumula o estado de saúde do sistema auditivo de uma senhora brasileira com um português disposto a morrer à fome em vez de passar pelo crime de matar a sede com álcool só para enganar o estômago.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-6450124990201495174?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/6450124990201495174/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=6450124990201495174&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/6450124990201495174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/6450124990201495174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/o-misterio-da-estrada-nacional-101.html' title='O mistério da estrada nacional 101'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-5865716831074213122</id><published>2010-07-06T00:25:00.005+01:00</published><updated>2010-07-06T01:30:41.196+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>A não ser o calor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eram às centenas em cima do asfalto. Estavam todos parados ao longo das três filas e todos tinham os vidros fechados. Os carros executavam a função frigorífico. Os condutores em ponto morto sobreviviam com os banhos de ar frio que chegavam ao habitáculo desde a zona do motor. Para a maioria dos humanos, por baixo do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;capot&lt;/span&gt; existe um mistério da fé. Nestas coisas das crenças, é confiar sem perguntar porquê. Se o ar vem frio desde um sítio quente, é deixá-lo vir, sem curiosidades que conduzem apenas e tão só ao embaraço.&lt;br /&gt;No nada, desembaraçadamente avançamos em direcção a um lugar onde à frente deixa de haver carros. Terão sido prestigiditadores ao volante. Aquilo foi a pura habilidade dos dedos. Não há outra explicação para o fim de uma história de carros em trânsito. A não ser o calor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-5865716831074213122?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/5865716831074213122/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=5865716831074213122&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/5865716831074213122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/5865716831074213122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/nao-ser-o-calor.html' title='A não ser o calor'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-3200251672362891827</id><published>2010-07-05T18:38:00.005+01:00</published><updated>2010-07-06T01:33:31.940+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida dava um texto relativamente curto'/><title type='text'>Os putos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sabemos se chora ou se ri, a areia da praia, quando a cara do mês de Julho surge na janela do calendário. Durante as manhãs da primeira quinzena dá-se a conquista do espaço. Manda no terreno a desorganização espontânea dos pés pequenos. O ar perde o contacto com o silêncio à medida que se multiplicam os gritos em português de metro e meio. A praia é das crianças, das nove da manhã até à meia hora. Neste intervalo de tempo entre refeições, e para que a fome não se ponha ao sol, há pão com queijo ou fiambre e um sumo para todos. Com mais areia para uns do que outros.&lt;br /&gt;Lá em baixo junto ao mar a inocência caminha de mão dada em direcção ao primeiro mergulho do ano. Hão-de crescer, não sabemos  se para o choro ou se então para o riso. Nisso, estão com a mesma certeza da areia da praia.&lt;br /&gt;Um vai ser médico, dez ou vinte querem ser professores hoje e vão ser professores amanhã. Os meninos à volta dos castelos de areia talvez não venham a a fazer carreira na construção civil. Um ou outro vai ser preso. Uma menina vai crescer para entrar nas telenovelas e outra caminha como quem alguma vez caminhará nas passerelles. Acredito que um daqueles rapazes um dia vai ser jornalista. E acredito que numa hora livre escreverá sobre as crianças da colónia balnear.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-3200251672362891827?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/3200251672362891827/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=3200251672362891827&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/3200251672362891827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/3200251672362891827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2010/07/os-infantis.html' title='Os putos'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-2247519888544377660</id><published>2009-10-22T10:24:00.006+01:00</published><updated>2010-07-05T18:30:48.447+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estado Crítico'/><title type='text'>Happy é como quem diz</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não faltam revistas onde a mulher é um cabide de culto onde o marketing tenta pousar toda e qualquer pecinha de roupa. São por norma espaços redutores da fêmea, mas no geral o quadro acaba por ser compôr, porque a vaidade não deixa de ser uma palavra bonita e elas, na construção da beleza, no regresso das compras e de malas até ao pescoço, ficam felizes e nós, homens, haveremos de ser de ser os destinatários próximos da felicidade, porque teremos à nossa espera, em casa, sorrisos rasgadinhos até ao lóbulo das orelhas.&lt;br /&gt;Está contado o preâmbulo, vamos ambulo. Ambulo poderá ser o gargalo apertado de uma vasilha larga. Apertando então o texto até ao sítio onde ele quer chegar, chego ao quiosque do supermercado e levarde frente com títulos que ma dão socos nos olhos, mês após mês. Estou a falar da revista que se diz &lt;span style="font-size:130%;"&gt;happy&lt;/span&gt; (feliz) em letras garrafais e &lt;span style="font-size:78%;"&gt;woman&lt;/span&gt; (em letras do tamanho das cláusulas aborrecidas dos contratos). Neste conjunto de páginas, e numa edição atrás da outra, a mulher é posta como um corpo estranhíssimo e que nos é proposta como andando sempre, 24 horas por dia, acoplada aos mais diversos tipos de pénis: o verdadeiro,o falso, o do namorado ou o do marido, o do melhor amigo do marido, o do tipo do emprego, o do médico, o do homem da vizinha, o do homem da melhor amiga, o do moço de farda, o do tipo desconhecido e o daquele gajo que não se sabe bem o nome mas que também ia, só faltando, na revista, falar acerca do orgão do cão.&lt;br /&gt;E valem pénis com actuação a solo, venham eles aos pares que até faz bem e se forem três não se pode falar em multidão. Nalgumas páginas, até vai a orquestra inteira... mas sem ninguém saber, porque assim ia parecer mal.&lt;br /&gt;Enfim, desgosta-me esta exposição da mulher moderna ao que tentam chamar de versão xpto de liberdade, quando no fundo aquilo não passa das mais arcaica forma de saco de esperma. Daqueles usados pelas primeiras senhoras quando foi inventada a primeira profissão do mundo.&lt;br /&gt;A mulher é a cidade inteira e não apenas aquela rua na baixa onde estão as máquinas de gelados.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-2247519888544377660?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/2247519888544377660/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=2247519888544377660&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/2247519888544377660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/2247519888544377660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/10/happy-e-como-quem-diz.html' title='Happy é como quem diz'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-5364719149906613592</id><published>2009-10-21T22:22:00.006+01:00</published><updated>2009-10-22T00:13:47.342+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Um episódio combustível</title><content type='html'>Quando lhe disser que uma viagem de Zurique para o Porto, começa na Arménia, acredite.&lt;br /&gt;OK, dá o ar de ignorância geográfica, mas pode acreditar. Estou a dizer-lhe que uma viagem de Zurique para o Porto começou na Arménia. E só para que conste, Arménia não é, Arménia não é uma daquelas mulheres que teve azar aos padrinhos. Arménia foi a mais pequena das antigas repúblicas soviéticas. E foi onde a senhora Dirouhie, no tempo em que o parto ainda não era um trabalho, deu à luz um menino a quem foi dado o nome de Calouste. Mais vos digo: em vez da Arménia, a viagem de Zurique para ao Porto começou na Turquia, em Istambul, que afinal foi a cidade desta nascença numa família de arménios. Foi num tempo em que o sobrenome Gulbenkian vinha no cimo das folhas de papel timbrado sobre as concessões de petróleo no Cáucaso. Por esses dias, o petróleo já sabia que era combustível, embora não fizesse ainda a ideia que um dia pudesse vir a ser a fonte de alimentação de uma máquina inventada propositadamente para dar asas a homens e mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aeroporto de Zurique -&lt;/strong&gt; A manga abre um túnel até à porta. Um pouco atrás, vejo, pelas paredes de vidro, num fundo branco, escrito a letras negras, o nome Calouste Gulbenkian. &lt;br /&gt;Nestas coisas a minha cabeça tem o hábito de ter vontade própria, uma vontade imparável, até. Só consigo dizer, nos segredos por baixo do couro cabeludo - mas que grande viagem! Em dois séculos, de Scutari, Istambul, até à chapa de um avião português- a tal máquina inventada para dar asas a homens e mulheres -, prontíssimo para se fazer primeiro ao piso e depois aos céus de Zurique.&lt;br /&gt;Se a  coincidência de um descente de negociantes de petróleo  estar no nome de um avião ainda me dá um certo &lt;em&gt;jet-lag&lt;/em&gt; às ideias, então o que dizer do que ainda está para vir. Uma voz surge do nada e pergunta se me pode ajudar a guardar o casaco. Quando o ditado diz que quem tem amigos não morre na cadeia, eu digo que quem tem amigos arrisca-se a levantar voo no cockpit. E a fazer a aterragem na mesma cadeira, olhando pela primeira vez de frente para a pista do Porto. Mas antes disso foi preciso olhar para trás por causa da tal voz e ver a cara de uma cara que já não via desde esse longínquo ano de 2001.&lt;br /&gt;Antes da partida, veriquei que a mangueira de abastecimento não era da bomba de gasolina da família Gulbenkian.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-5364719149906613592?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/5364719149906613592/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=5364719149906613592&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/5364719149906613592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/5364719149906613592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/10/um-episodio-combustivel.html' title='Um episódio combustível'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-3388556226291222016</id><published>2009-10-17T02:26:00.006+01:00</published><updated>2009-10-17T15:37:55.197+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Las tres manzanas verdes</title><content type='html'>&lt;strong&gt;BREVE TEORIA SUBURBANA SOBRE UMA ALDEÃ VIRTUAL&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três pontos se utilizados de forma contínua na horizontal são reticências. Reticência é a omissão voluntária do que se podia dizer. É omissão ou silêncio. É a suspensão do discurso ou do pensamento. Desde há vários anos que, quando o dicionário me diz uma coisa... acato e passo à frente porque a vida é feita de muitas outras páginas.&lt;br /&gt;Quando em vez dos três pontos na horizontal, surgem três maçãs, ainda por cima verdes, é sinal de que a colheita ainda vem longe e que nos podemos reinventar por aqui à vontade enquanto a coisa não fica madura, da cor de um sinal proibido, e se transforma num fruto apetecido.&lt;br /&gt;Nesta pequena comunidade de gente que aqui vem, poucos conhecem a história de Maria. Virgem como na bíbla, a ela que já lá vamos, a deixemos mais uns minutos por contar, nas páginas de um livro que está para chegar no comboio que vem da cidade.&lt;br /&gt;Conta-se lá dentro quando o abrirmos, pormenores de Maria até ao detalhe do nome esse afinal estrangeiro e ligeiramente mais curto. Mary é uma small town girl. Mudou-se ontem à tarde para a metrópole. Alugou um &lt;em&gt;studio&lt;/em&gt; na zona baixa de Facebook. Mal instalou as tralhas, mal teve tempo de sair à rua e já tinha a vizinha de frente, uma vidente, a dizer que amanhã ia ser um dia a seguir ao de hoje.&lt;br /&gt;Ao fundo das escadas estava um reformado das forças armadas a perguntar pela música rock favorita da nova inquilina. Ele tinha a ideia de ter sido baterista dos Beatles antes da segunda guerra mundial. Mary sorria ao disfarçar os nervos. Acontece que sorrindo ia ganhando pontos no ranking da curiosidade. Do nada deu por si a imaginar em qual filme da Disney teria entrado. No segundo segundo já puxava pela memória para relembrar qual a actriz de Hollyood que ela teria sido antes e o qual o nome do galã que melhor daria conta da sua virgindade.&lt;br /&gt;Um puto loiro de treze anos passou com um pé no skate e outro no passeio. Atirou-lhe um beijo como desculpa para depois poder perguntar o dia do nascimento de Mary. Ela disse 13 e ele fugiu cheio de medo de ter azar ao amor.&lt;br /&gt;Abrupta forma de insinuar teve o trolha, pendurado no andaime, com promessas de amor interno: caiava-te toda por dentro, disse ele. Ela deu um solavanco nos passos. Fugia para fugir do susto e quando deu por si estava em pleno bairro cigano. Alguém lhe pegou numa mão... A cigana espanhola, sem pedir licença, ditou-lhe uma sina que vai até ao fim destas linhas: " un dia tu historia vai ser contada en un lugar com tres manzanas verdes". A virgem Mary correu para casa, vendeu o &lt;em&gt;studio&lt;/em&gt;, mudou-se para o campo e procurou a zona mais rural de Farmville.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-3388556226291222016?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/3388556226291222016/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=3388556226291222016&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/3388556226291222016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/3388556226291222016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/10/las-tres-manzanas-verdes.html' title='Las tres manzanas verdes'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-5421339482357531725</id><published>2009-10-17T02:23:00.000+01:00</published><updated>2009-10-17T02:24:03.822+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>cinema monumental</title><content type='html'>Sentado, tenho para lá da janela a Avenida da Boavista. Apetece-me escrever sobre Lisboa, mas acabo por não o fazer porque vejo mal ao longe.&lt;br /&gt;O devaneio de meio da tarde chega ao fim quando a máquina dá à luz um copo de plástico branco com um café longo. É prematuro retirar o copo antes de as letras deixarem de escrever "em serviço". Missão abortada. Copo retirado antes do tempo é igual dizer volte a tentar mais tarde e faça o favor de ter um pouco mais de paciência.Paciência é resposta certa. Na minha forma de ver, eu que até vejo mal ao longe. Mas, na minha forma de ver, paciência é a resposta certa quando a pergunta é qualquer coisa como... se tu pudesses pedir o que quer que fosse o que é que pedirias? Não pedia dinheiro, porque não quero, nem tenho, nem vou ter e porque se gasta. Não pedia saúde, porque com ela ou sem ela, quando tiver de ser, é. Nem pedia paz no mundo, porque isso pedido assim dessa forma nunca vai acontecer enquanto no mundo inteiro não houver... paciência. Eu quero!&lt;br /&gt;Paciência para aguardar pelo beijo que não me deste esta manhã e já são onze da noite, paciência para não ter de recuar dez ou vinte anos no tempo para voltar a sentir o que é ser feliz, paciência para enfrentar os intolerantes com um sorriso e o ignorantes com uma abraço terno. Depois fazia disto tudo a rodagem de um filme num café de praia sem ponta de mobília. Quando as pessoas chegassem, dizia que as mesas tinham ido com as cadeiras a Fátima a pé. O balcão foi atrás para servir de altar. Só restaram os copos para afogar as mágoas, que ficaram de vir hoje à noite e têm medo das ondas do mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-5421339482357531725?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/5421339482357531725/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=5421339482357531725&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/5421339482357531725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/5421339482357531725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/10/cinema-monumental.html' title='cinema monumental'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-1463431069892181281</id><published>2009-10-17T02:01:00.003+01:00</published><updated>2009-10-17T02:25:37.089+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Foi ao fim da tarde no emprego, mas podia ter sido a qualquer hora em qualquer parte do mundo</title><content type='html'>O grande orgão reprodutor masculino está entalado entre a nuca e a testa. E dali não sai, dali ninguém o tira. Como fica por cima dos olhos, passa boa parte do tempo à varanda das sobrancelhas, sobranceiro, como quem vê o mundo de cima para baixo... e em particular o longínquo universo feminino. Não era preciso descender dos macacos para chegar até aqui em tantos milhões de anos. Bastava apenas quedar primata. Primata mas dos peludos. Daqueles que cospem para o chão, que mijam para a relva. Exacto, esses como esses que coçam o cú seja onde for só porque a comichão há-de andar sempre à frente da razão. Entretanto a conversa perdeu-se numa curva mais larga do lado menos macho de um homem macho e já não estamos a ir ao que íamos. Dizia-se no princípio de isto qualquer coisa sobre o grande orgão reprodutor masculino. Pois que é o cérebro. No mesmo minuto é capaz de esticar a amplitude a limites que vão para lá do limite da palavra. Em simultâneo consegue arricar gestos para salvar a humanidade, ter o carinho mais meigo com a mulher que ama, dizer o disparate mais pegado ou ser mais porco do que o porco. Tudo no mesmo minuto, ao mesmo tempo, com a mesma boa vontade. É uma cadeia reprodutiva unipessoal contínua.&lt;br /&gt;Posto isto, dito isto, agora juntem três homens numa sala onde um deles chega com um telemóvel sem bateria e pergunta se alguém tem pila grossa. Pila grossa é carregador com entrada mais larga. Um ri, o outro ri, o outro ri. Um diz que só tem pila grossa, o outro diz que só tem pila vossa. E ainda se lembra de dizer que a pila do terceiro vai de mole a pior. Eles poderão rir, elas talvez digam que isto não tem graça nenhuma.&lt;br /&gt;A palavra piada devia ser do sexo masculino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-1463431069892181281?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/1463431069892181281/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=1463431069892181281&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1463431069892181281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1463431069892181281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/10/foi-ao-fim-da-tarde-no-emprego-mas.html' title='Foi ao fim da tarde no emprego, mas podia ter sido a qualquer hora em qualquer parte do mundo'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-1038633951073847594</id><published>2009-10-01T23:42:00.007+01:00</published><updated>2009-10-07T10:36:04.096+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Um touro vermelho no ar</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;O medo vinha por baixo da roupa, estrategicamente escondido, distribuído em doses uniformes, de cima a baixo, de um lado ao outro. Considerei guardá-lo na mochila do pára-quedas, num instante em que ninguém estivesse a olhar. Mas não. Livrei-me dele o quanto antes, mal tirei os pés do carro. Foi por instinto. Ficou ali atirado ao chão. O medo. No lugar onde a relva termina e o asfalto se impõe entre todos os inertes de profissão duro.&lt;br /&gt;A caminho do hangar, devem ter sido vozes, porque não estava ali ninguém para falar. Perguntavam, na encarnação absoluta da palavra provocação, se eu estava familizarizado com o termo medo. Lembro-me de ter pensado que naquela hora não estava familiarizado sequer com o termo familiarizado.&lt;br /&gt;No princípio deste parágrafo não será difícil imaginar que em tendo um hangar como destino, lá dentro só poderá haver um avião parado, avião esse que é nada mais nada menos do que o alvo em movimento do receio deste que vos conta. Despercebido total de aeronáutica, este tende a dizer que o bicho era cinzento, tinha pele do material da casca do ovo, acabado na frente com uma hélice pequena e acabado atrás com uma cauda fina.&lt;br /&gt;Havia lá dentro uma ou outra pessoa e uma delas pediu-me para subir para a asa sempre com os pés escostadinhos no corpo da fuselagem, não fosse a asa partir. Desço os óculos escuros do capacete, como quem tinge de cor escuro os próximos minutos, seguro entre aspas da robustez do pequeno animal que vai transportar sobre o dorso numa caixa em acrílico. O bicho fala. Afinal fala. Diz vruumm. Fala alto. Está a dizer que nos vamos fazer à pista. Digo para o capacete que sou um homem sério e comprometido e que portanto não estou a li para me fazer a ninguém. O capacete permanece imóvel. Entendo que não está ali para fazer amigos e que a partir de agora me vê como um engraçadinho a quem vai ser preciso dar uma lição.&lt;br /&gt;E eu aprendo, a torto e a direito, que o ar é para ser viajado com pés bem assentes no chão, sim este chão que agora vejo, de rodas e pernas para o ar. Olha ali em baixo o medo, que afinal visto da aqui é uma coisa pouca. E subo. Subo aos céus amarrado por cintos a esta cruz vertical. O Sol está mais acima. Meu deus que não te vejo. Nem sei se és tu esta força que me atinge com toda a gravidade. Caí-me do bolso uma &lt;em&gt;pen&lt;/em&gt; onde tinha guardado um texto sobre tudo isto. As palavras sairam todas do sítio e quando aterramos tinha escrito uma coisa assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-1038633951073847594?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/1038633951073847594/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=1038633951073847594&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1038633951073847594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1038633951073847594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/10/um-touro-vermelho-no-ar.html' title='Um touro vermelho no ar'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-8233419030359654349</id><published>2009-09-15T22:45:00.006+01:00</published><updated>2009-09-22T12:33:15.824+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vamos à bola'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Veteranos de Serzedo'/><title type='text'>Reviver o passado em Serzedo</title><content type='html'>Bem vindos ao Parque de Jogos da Rainha. Tal com eu me sinto, bem regressado, 17 anos depois de ter cá estado, pela última vez, com chuteiras nos pés.&lt;br /&gt;Ao campo de futebol, aconteceu o que aconteceu a muita gente durante todo este tempo. O campo está mais gordo. Mais gordo dois metros de cada lado. Dizem-me também que está maior, que está mais comprido cinco metros. Prefiro dizer que o campo não cresceu, mas que está a jogar de salto alto. Já eu, neste intervalo desde o primeiro ano de sénior até ao primeiro ano de veterano, mantive, sem tirar nem pôr, os cento e setenta um centímetros. Dito assim parece um bocadinho mais. Mas devolvo o protagonismo ao Parque de Jogos da Rainha, antes de o entregar por inteiro ao clube da terra, o Clube de Futebol de Serzedo. O mítico queen´s park, para além de ter engordado, e como quem tenta enganar a velhice, também fez um implante capilar. Onde outrora o chão era cinza claro, hoje é verde sintéctico esborrachado, isto é, de borracha. Fora isso, dimensões e piso, é tudo igual: as balizas ainda são balizas e as linhas continuam brancas. De um branco tão puro como a ilusão de um miúdo atrás de uma bola de futebol.&lt;br /&gt;O miúdo hoje tem 35 anos e está, por via da idade, devidamente encartado para representar os veteranos do clube natal. Veteranos. E não velhas guardas, como no tempo do pelado e dos joelhos esfarelados.&lt;br /&gt;O jogo de estreia está marcado para um sábado à tarde. O apito inicial chega quando o relógio chega às 16 horas e 45 minutos. O sol teima em não descer para a praia e parece ficar a fazer praia sobre este sinténtico, desenhado na longitude, de baliza a baliza. O mister dá um onze que só confirma e ainda bem, que vou para o banco de suplentes, eu com apenas meio treino antes deste jogo de preparação. O adversário é o Canelas, velho rival de Vila Nova de Gaia.&lt;br /&gt;Um minuto, nada a apontar. Dois minutos, nada a apontar. Três minutos e sofremos um golo do meio campo. Nada a dizer do guarda-redes, que só está na baliza porque se voluntariou, um vez que o mercado está a fechar e a nossa baliza ainda não tem guarda. Cinco minutos, nova contrariedade. O médio esquerdo lesiona-se. O nosso banco de suplentes tem seis jogadores. Baixo a cabeça e espero que a lesão não seja grave. Quando se confirma que é, só espero que o treinador não se lembre de me chamar, porque não tenho pernas para 85 minutos. Ele chama por mim. Quando me levanto para aquecer, lembro-me que me esqueci de ir à casa de banho antes de sair do balneário. Enfim, há velhas rotinas que se perdem em 17 anos. Começo o aquecimento e quando chego perto da bandeira de canto fico tentado a saltar o muro e a ir num instantinho às casas de banho públicas. É capaz de de ficar um bocadinho mal, por isso, contenho, faço pela vida, mordendo o lábio inferior.&lt;br /&gt;Entre a vontade de fazer xixi e a noção de não ter pernas para os 40 minutos que faltam para o intervalo, só pelo facto de entrar em campo, já me sinto um herói. É coisa passageira, essa euforia. Quando estou a chegar à linha de meio-campo, há um canto contra nós. A substituição é atrasada e assisto ao 0 -2, ao lado do juiz de linha.&lt;br /&gt;A primeira parte é um suplício. O sol entrou sem pagar bilhete e ficou a assistir ao jogo na primeira fila. Os minutos parecem um jogador regressado aos relvados após longa ausência e não conseguem sair do sítio. A boca a secar. Os lábios secos. Aos anos que eu não sabia o que era ter sede. O corpo que manda e as pernas que não andam. Apeteceu-me perguntar pela primeira parte, mas não o fiz por falta de coragem, para não ficar mal. Até que o defesa direito do Canelas vai dizendo que nunca mais acaba o primeiro tempo e eu, morto por dentro, lhe digo "anda lá!" que ainda faltam para aí cinco minutos.&lt;br /&gt;Prrriiuuu. Prrriuuu. Por fim, o intervalo. Entro no balneário sem dar muito nas vistas e percebo que nenhum dicionário nunca me poderá dar uma definição tão correcta de alívio. Urinado, sento-me e escuto a mensagem que o treinador tenta passar para a segunda parte. Batem à porta. Abrem, enfiam a cabeça no nosso balneário. É o árbitro, que vem dizer: "ó rapaziada, desculpem lá. Esqueci-me do tempo. Quando olhei para o relógio a primeira parte já tinha sessenta e tal minutos". Para mim foram 17 anos. Demasiado tempo longe da camisola do Serzedo. Azul e branca, como a do Porto. Às riscas horizontais, como as do Sporting.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PS:&lt;/strong&gt; jogámos muito bem numa segunda parte de 45 minutos. Acabámos por perder por 3 a zero. Não foi uma vitória moral. Foi uma derrota pesada. Daquelas que só sentem os que ainda correm por amor à camisola.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-8233419030359654349?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/8233419030359654349/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=8233419030359654349&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/8233419030359654349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/8233419030359654349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/09/reviver-o-passado-em-serzedo.html' title='Reviver o passado em Serzedo'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-5500536068437755067</id><published>2009-09-06T16:38:00.007+01:00</published><updated>2009-09-07T00:15:19.029+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Uma pequena parte da roupa de mulher</title><content type='html'>Este é um top com história. Foi personagem principal no episódio piloto daquela série sobre o amor à primeira vista. Apareceu na cena em que uma mulher apaixonada estava sentada no sofá da sala , em casa de uma amiga, num domingo à tarde. Apareceu, o top, sobre os ombros, preso por duas alças verde escuras. Por baixo de uma das alças, havia uma borboleta que nas horas vagas tinha a profissão de homem-estátua. E assim vivia, inerte, sobre o peito da mulher que está a usar o top que veste esta história dos pés à cabeça. Acreditava que assim iria afastar todos os homens com coração de pedra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-5500536068437755067?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/5500536068437755067/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=5500536068437755067&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/5500536068437755067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/5500536068437755067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/09/uma-pequena-parte-da-roupa-de-mulher.html' title='Uma pequena parte da roupa de mulher'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-1417541142594581136</id><published>2009-09-04T22:08:00.004+01:00</published><updated>2009-09-04T23:06:09.787+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vamos à bola'/><title type='text'>Lituânia pelas costas</title><content type='html'>A Lituânia não é um país, é um zona erógena.&lt;br /&gt;Ditada a sentença, assim à bruta, de enfiada, logo à entrada, segue-se o material de prova. O principal clube de futebol chama-se Kaunas. A selecção de sub-21 lituana é um filme pornográfico à espera de acontecer: o 11 chama-se Karolis; o 8 é o Vaitkunas; o 16 é o Brokas. O Karolis esteve em Vila Nova de Gaia e marcou um golo a Portugal no único remate dos lituanos. Ainda bem que eles não tinham mais bilhetes com partida em direcção à baliza portugesa.&lt;br /&gt;Resumindo e concluindo: o facto de a selecção lituana de sub-21 ter estado em Portugal, nada nos disse sobre futebol. Quando muito, quem não sabia, ficou a saber que há lituanos com menos de 21 anos. Digo eu, que não entro nesses filmes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-1417541142594581136?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/1417541142594581136/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=1417541142594581136&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1417541142594581136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1417541142594581136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/09/lituania-pelas-costas.html' title='Lituânia pelas costas'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-1156907499925111670</id><published>2009-09-03T23:32:00.006+01:00</published><updated>2009-09-04T00:46:06.586+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Brasília, a camisa, as botas e eu</title><content type='html'>Fazer a rotunda e virar para a rua da Boavista. Andar cem metros. Parar. Olhar à direita. Virar. Entrar. E regressar aos anos 80 logo a seuir aos verbos todos.&lt;br /&gt;A década começa a chegar pelos ouvidos. Não quero acreditar que uma cassete roda há trinta anos de forma contínua. Não quero acreditar, mas ... as colunas guardam qual museu as guitarradas do Bryan Adams antes da voz rouca do loiro canadiano dizer que it´s only love. Uma música dos anos oitenta, num shopping dos anos oitenta, onde eu já não entrava desde os anos oitenta. Oitenta vezes três. Vá lá... podia ser pior. Podia ter sido setenta vezes sete.&lt;br /&gt;A visita de hoje é em trabalho e não deixa subir nem descer, não deixa ser curioso, só me possibilita o estado de ficar contido, porque existe a obrigação de fazer uma reportagem no lugar onde a escadas terminam, na sala do bingo, que está para fechar e que vai deixar 43 pessoas no desemprego. Azar ao jogo. Dizer azar ao jogo seria utilizar uma expressão comum num lugar infeliz. Infeliz como aquela triste escolha de guarda-roupa de há vinte e tal anos. Quando a camisa era bordeaux e às cornucópias, quando cinto apertava um palmo abaixo do queixo e tacão da botas texanas ia até à altura de quatro dedos na horizontal.&lt;br /&gt;À saída, e juro que é mesmo verdade, o museu do som, perdão, a instalação sonora do Brasília, canta We are the world. Um cantinho com um nome de senhora, do qual não me recordo, avisa que há pratos económicos. Vou lá um dia destes. Sem a ideia de encontrar o preço dos anos oitenta. Apenas com a vontade de voltar ter quinze anos. Mas com medo de passar por um espelho e voltar a ver a camisa mais feia do mundo por dentro de um cinto da cor de um par de botas que estava a ver que não conseguia descalçar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-1156907499925111670?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/1156907499925111670/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=1156907499925111670&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1156907499925111670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/1156907499925111670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/09/brasilia-camisa-as-botas-e-eu.html' title='Brasília, a camisa, as botas e eu'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-6569519990089147263</id><published>2009-08-12T00:24:00.005+01:00</published><updated>2009-08-12T13:59:37.879+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>O narrador salvador</title><content type='html'>Lá mais para o fundo da rua, um homem há-de entrar a olhar para a esquerda e para a direita, para trás, para a esquerda e para a direita, para trás. Em frente; por um corredor escuro a seguir a uma porta enferrujada, a seguir a um passeio estreito, a seguir a duas filas de carros, a seguir a uma poça de água, a seguir a uma rua esburacada, a seguir a uma nota de 20 euros e três de troco, a seguir a um táxi, a seguir a um taxista com medo, a seguir a um dedo no ar, a seguir a um grito de alerta: Táxi!&lt;br /&gt;A essa hora, o homem ainda não sabia que estava a escolher a forma mais rápida de viajar em low-cost para o jazigo de família, como se estivesse a comprar um bilhete só de ida por 17 euros, e os avisos do taxista fossem uma coisa para rir quando diziam que a ferrugem da porta não era oxidação era sangue, porque a meio do corredor escuro, era tiro e queda.&lt;br /&gt;O homem que há-de entrar a olhar para a esquerda e para a direita, para trás, para a esquerda e para a direita, para trás, esse homem só não entra se quem conta esta história decidir esticar os braços, virar a cara para o outro lado e continuar a dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-6569519990089147263?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/6569519990089147263/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=6569519990089147263&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/6569519990089147263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/6569519990089147263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/08/o-narrador-salvador.html' title='O narrador salvador'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-6820451648511036194</id><published>2009-08-11T14:51:00.004+01:00</published><updated>2009-09-04T23:10:54.969+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estado Crítico'/><title type='text'>Se não fosse o tablóide o que seria de mim</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esta manhã, o correio resumidinho:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Guatemala, país com bandeira branca e azul argentino, quase do tamanho de Portugal, mas com mais dois milhões de habitantes. Vem de lá, do colo da américa central, uma insólita mulher para passar férias em Espanha. Viajou sózinha e ligou ao marido a dizer que tinha sido raptada, quando afinal só tentava prolongar a estadia "encaputada" com o amante sorteado na internet. Pobre marido, dirão, mas direi que se calhar não, porque há pior. Como é o caso de um miúdo brasileiro, rapaz de 14 anos, a quem um padre sonhou querer ver de cócoras na casa de banho do Terminal de Integração de Passageiros do Recife. Terá levado à letra a integração de passageiros. Era de se lhe enfiar um autocarro no terminal. E já agora mais um para a peida da Nereida. Não será pequenino o orgão sexual do jogador da bola; será antes a boca dela do tamanho de um saco de esperma dos grandes.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-6820451648511036194?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/6820451648511036194/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=6820451648511036194&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/6820451648511036194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/6820451648511036194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/08/se-nao-fosse-o-tabloide-o-que-seria-de.html' title='Se não fosse o tablóide o que seria de mim'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-3092588216656032976</id><published>2009-08-11T00:32:00.004+01:00</published><updated>2009-08-12T13:59:25.621+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Uma história por um euro'/><title type='text'>Don´t call me macho</title><content type='html'>Vai para ali um gargarejo de fumo da cor de nuvens claras, que nada vem a propósito do vermelho pintado dos lábios nem do amarelo torrado dos dentes. Aliás, diga-se para mais que: ali naquele cenário anão, entre o queixo e a nuca, de orelha até orelha, esboça-se uma única concordância. Que é a do tom da dentadura fumada, com a cor espiga seca do cabelo. Feia, mas conseguida a bom custo, descoberta nos fundos da loja do Ilídio, deixada a facturar no prego da parede à esquerda sobre o balcão e aplicada em ânsias com duas demão mal conseguidas até mais não.&lt;br /&gt;Arlete encosta as bochechas aos dentes, reduz a boca ao diâmetro do papel amarelo sobre o filtro. Abre e solta a fumaça goela fora, enquanto a voz vai para os ouvidos dos outros refundida pelo nariz. Diz eu isto eu aquilo, ai fuôda-se. Pragueja ao fino que o empregado deixou à morte faz três minutos ao balcão. Dâsse, aralho, que nunca mais vem.&lt;br /&gt;Cigarro na mão esquerda, copo alto a tempo do sol ainda ter tempo de o ver. Cerveja da cor da tal tinta concordante, unhas ao tom da boca. Só falta o arroto para compor a figura. Já está.&lt;br /&gt;Arlete se o que lhe diga, em verdade tiver mesmo de ser, permita a franqueza de uma linha onde lhe confesse não querer um homem assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-3092588216656032976?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/3092588216656032976/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=3092588216656032976&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/3092588216656032976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/3092588216656032976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/08/dont-call-me-macho.html' title='Don´t call me macho'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13554657.post-3608056444933509453</id><published>2009-08-04T22:31:00.004+01:00</published><updated>2009-08-04T22:57:18.013+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estado Crítico'/><title type='text'>Portugal em cuecas</title><content type='html'>Passa um homem com um ombro em Matosinhos e outro em Cascais. Passa mais um homem, este com calças pelos mamilos, de camisa por dentro, apertada até ao colarinho e risquinhas fininhas. Risco ao lado no cabelo, no sentido dos ponteiros do relógio. Há-de passar uma mulher de aspecto farto a tempo de dar razão à expressão onde se avisa que nem tudo que vem à rede é peixe. Ela é branca, deixa as vergonhas à mostra no biquini verde, está no seu direito, só que o pior vem a seguir. Ou vem por cima: uma túnica roxa feita de rede. A cor, se dá um ar doente à pele pálida, deixa o biquini a resvalar para o verdete.&lt;br /&gt;Um puto puxa pelo nariz para dentro junto ao céu da boca como quando o elástico da fisga vem para trás. Largou. E já está a boiar ao lado de uma miúda sentada na borda de água com o indicador esquerdo alojado na narina direita. Vista daqui, não dá ares de ter comichões no cérebro.&lt;br /&gt;Mais a leste da praia, quatro barrigas sentadas fazem time-sharing de cerveja a copo umas atrás da outras. Uma barriga levanta-se e vai embora. Chega a casa e dá uma injecção de teclado nos cotovelos. As letras tiram uma fotografia tipo passe. Pequena, rectangular. Da mesmíssima forma de um país assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13554657-3608056444933509453?l=websidestory.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://websidestory.blogspot.com/feeds/3608056444933509453/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13554657&amp;postID=3608056444933509453&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/3608056444933509453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13554657/posts/default/3608056444933509453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://websidestory.blogspot.com/2009/08/portugal-em-cuecas.html' title='Portugal em cuecas'/><author><name>António Reis</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-_bAT7_4FWT8/TjNzSs85-1I/AAAAAAAAAQM/skSnTTTzyvk/s220/Fotografia%252C%2B13-06-2011%2B-%2B18.48.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
